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Marina e seus trunfos


Pedro Guilherme

Marina deixou a Rede em banho-maria enquanto se filiava ao PSB para continuar com visibilidade na campanha eleitoral, cuja chance era diminuta para sua chapa. A tragédia e o acaso deram uma reviravolta nessa situação.
Agora está à frente nas pesquisas e é, quer queiramos ou não, a portadora da esperança dos que se sentiam seu perspectiva num sistema eleitoral e político muito distante dos interesses do povo.
Há quem diga -  e são muitos - que ela terá imensa dificuldade para governar porque seu partido é pequeno. Bobagem!
A Rede é um grande trunfo agora, porque assegurada a presidência, a capacidade de atração do poder fará com que uma enxurrada de parlamentares vão cair na rede, vão aderir ao possível partido em banho-maria para transformá-lo num sólido partido. Lembremos que parlamentares podem sair de seu partido para aderir ao um novo, em formação, sem caracterizar infidelidade partidária. A Rede se transformará num grande trunfo e num belo atrativo.
Contará ainda com o apoio do PMDB, que é e será sempre governista, essa federação de oligarcas estaduais, construída a partir do MDB, o movimento base contra a ditadura militar. O que mostra que transfigurações não são alheias à política. 
Terá ainda a simpatia do PSDB cujo programa de governo muito se assemelha ao de dela, sendo que o seu é claro e objetivo nas posições que defende. O PSDB provavelmente vai enxugar um pouquinho mais, talvez caminhando rumo ao mesmo destino do DEM.
Uma parte do PT fará oposição a ela? O PT do Acre, por exemplo, de cujo governo seu marido era secretario e só saiu há poucos dias porque ela virou candidata a presidente, agirá como? Será que o PT como um todo ficará na oposição, acreditando que voltará ao poder em 2018 nos braços de Lula? 
Os blogueiros progressistas que apoiam o governo e são apoados pelo governo irão para a oposição ou uma parte se transformará nos progressistas de Marina?
 E os partidos que estão nas coligações do PSDB e do PT à presidência como agirão depois que a vaca for pro brejo? Uma grande parte provavelmente marchará com Marina, a redentora da ética e a construtora da Nova Política, sob o patrocínio do Banco Itaú e demais associados da Febraban.
E os empresários agarrados ao BNDES e aos negócios com o governo? Vão se afastar ou começarão a falar em sustentabilidade, a palavra que virará moda?
Portanto, acreditar que ela não terá base para governar é não ter o sentido do que é o presidencialismo de coalizão e de atração.
Resta o povo neste país de gigantescas iniquidades e de um grau de desigualdade atróz. Aí, só restará construir ao longo do tempo um forte movimento que reorganize de fato e em profundidade o Estado e a política em nosso país para que ele seja mais justo, num Estado mais transparente, menos corrupto, mais simplificado, menos burocratizado, mais competente, que desperdice menos recursos e sobretudo mais próximo do povo nas suas questões essenciais no campo da saúde, educação e igualdade.


CARTA DE GOIÂNIA CONTRA A CORRUPÇÃO E A IMPUNIDADE
Pedro Guilherme 

Reunidos em Goiânia nos dias 29 e 30 de março de 2012, no I Encontro Nacional Contra a Corrupção e a Impunidade, expressamos ao povo brasileiro nosso sentimento de que a corrupção e a impunidade decorrente são problemas muito grave e precisam ser enfrentados com todo rigor possível. O Brasil foi o país que mais riqueza produziu no século XX, segundo o IBGE, e. atualmente transformou-se na sexta economia do mundo. Mas no aspecto social, a situação é inversa. Tem uma das mais injustas distribuições de renda do mundo e em educação, saúde e segurança os nossos índices são muito insatisfatórios. . E onde está uma das principais fontes de nossos problemas? O Estado é corrupto! Pelo índice da Transparência internacional, no ano de 2011, numa escala que vai de 0 a 10, o Brasil teve nota 3,8 enquanto os países com menor índice de corrupção, Nova Zelândia e Dinamarca tiveram respectivamente 9,5 e 9,4. O Brasil ficou em 73º lugar. A corrupção sistêmica corrói todos os poderes em todos os níveis do Estado. Uma minoria de funcionários corruptos, sejam eles eleitos, de livre provimento ou concursado, aliam-se a empresários e intermediários de negócios desonestos para sugar os recursos do Estado em benefício próprio. E com a corrupção acaba vindo outras formas de delinquência, como o crime organizado e a lavagem de dinheiro. E há também uma relação promíscua entre partidos e empresas que doam dinheiro para campanhas esperando retorno futuro, numa troca de favores incompatíveis com atitudes republicanas. E os políticos, na maioria das vezes, não representam o povo, mas os interesses dos que financiaram suas campanhas. E as prioridades acabam sendo definidas a partir disso, inclusive obras públicas. A corrupção impede que o país tenha foco no que é fundamental: saúde, educação, segurança, previdência. Corrupção, desperdício de recursos e impunidade, esta é uma triste constatação. E a impunidade dos poderosos e a facilidade com que se livram de acusações contribui para enfraquecer a confiança do povo nos poderes de Estado, desmoralizando-o, com sérias consequências para a estabilidade democrática. A corrupção não é invencível. É possível baixa-la drasticamente. Porém, não se pode esperar que venha do Estado a inciativa, se até agora não o fez. Mas ela não será vencida apenas com a exigência moral de mais pessoas honestas nos cargos públicos. E também não será vencida pelo caminho tortuoso apregoado por aqueles que a pretexto de indignação destilam o ódio, disseminam a intolerância, clamam por ditaduras, salvadores da pátria e totalitarismo. A corrupção se vence com a soma e a união de todos aqueles que forem capazes de acima de suas ideias, de suas preferência política, se unirem numa grande corrente apartidária somando forças em propostas concretas, objetivas, exigindo uma máquina estatal mais profissional, mais efetiva, mais ágil, com controles administrativos e contábeis mais rígidos, com cargos de indicação política os mínimos necessários e só nos escalões superiores em todo o país. A corrupção se vence exigindo-se mais transparência na administração pública, com a divulgação dos gastos pela internet, inclusiva com detalhe de preços de materiais, equipamentos e serviços, com mais auditorias preventivas, com mais rigor no acompanhamento por parte do Estado das obras públicas, ou seja, o primeiro passo deve ser impedir que a corrupção aconteça. A corrupção se vence com a exigência de uma justiça mais ágil, com penas mais rigorosas, com prazos de prescrições de delitos mais longos e inclusive, dependendo do caso, imprescritíveis e inafiançáveis.. A corrupção se vence exigindo que a recuperação de ativos, daquilo que foi tirado ilegalmente dos cofres públicos, não tenha prazo para prescrever. Passe o tempo que passar, o Estado sempre terá o direito de recuperar os bens ou o valor deles, independente de prazos e até da eventual morte do corrupto, indo até todos os beneficiários do assalto aos cofres públicos, porque os bens pertencem ao povo, cabendo ao Estado unicamente administra-los. A corrupção se vence com a criminalização do enriquecimento ilícito. A corrupção se vence proibindo-se o financiamento de partidos e campanhas eleitorais por parte de empresas privadas, transformando essa prática inclusive em delito. A corrupção se vence substituindo na população brasileira, a cultura da tolerância pela cultura do repúdio, da repulsa à corrupção e aos corruptos. Por isso, conclamamos a todos que acreditemos que nós é que vamos mudar este país, com nossa participação, com nossa determinação, com nossas inteligência, com nossa integridade, porque nós, o povo, é que somos os construtores desta Nação, que tem tudo para ser uma das melhores do mundo em todos os aspectos. Goiânia, 30 de Março de 2012 Redação: Pedro Guilherme de Andrade