quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Acusações políticas

As acusações ao ex-presidente Lula enveredaram claramente para o campo da política. Quando a justiça e a política se misturam quem perde é a democracia, é a verdade dos fatos.
O procurador que apresentou as acusações ao ex-presidente começou afirmando que não tem como provar, mas que achava que era tudo verdade. Um membro do Ministério Público pode afirmar isso?
Fica cada vez mais claro que o objetivo é político e ideológico cujo objetivo é a eleição presidencial de 2018. Não se quer fazer justiça, mas tirar do caminho um candidato forte.
Adiantará alguma coisa? Os outros candidatos são conhecidos e o tiro poderá sair pela culatra. A eleição de 2018 poderá ter candidato de oposição ao governo atual bem mais preparado do que Lula e bem menos vulnerável moralmente do que ele.
A corrupção se tornou endêmica, estrutural no Brasil e parece que os que tem a obrigação de combatê-la acabam sendo seletivos, parciais e instrumentos de sua perpetuação.
Mesmo que não concordemos com a política praticada pelo ex-presidente, não podemos nos deixar levar pela questão ideológica ou de vingança meramente.
É preciso exigir que julgamentos sejam sérios, jurídicos, com base em fatos e em provas e isso para qualquer cidadão brasileiro.
Se a justiça é facciosa com que tem projeção nacional, imagine com os que não tem que os defenda.
O que é preocupante também é o show midiático. Será que um bom ordenamento jurídico precisa de ações midiáticas espetaculares ou deve se fazer respeitar pela seriedade de suas acusações e julgamentos?
Uma reforma política que todos julgam necessária deve ter como fundamento a reforma do Estado, inclusive do judiciário.
Caso não houver uma reforma séria no aparato estatal estaremos mergulhados cada vez mais no Estado divorciado da população, gerindo interesses de grupos e colocando sempre em questão a já muito frágil democracia brasileira.

O que assistimos hoje foi um show midiático e não uma acusação jurídica fundamentada, mostrando uma faceta preocupante sobre o Ministério Público e o Judiciário como um todo, o despreparo ético e ausência de distanciamento crítico dos casos que estão sob sua responsabilidade.