sábado, 16 de abril de 2016

Claro que é golpe



Não tenho a mínima ideia de qual vai ser o resultado da votação do impeachment. Há uma guerra de informações, cada qual buscando influenciar deputados para a votação.

A questão do impeachment não é pela Lava Jato, em que não há acusação alguma à Dilma. Tampouco é pela notória incompetência e nem pelo estelionato eleitoral praticado.

Sendo assim, os deputados que ocupassem a tribuna falar, e não são poucos, deveriam se ater a esse item: pedaladas fiscais são ou não crime de responsabilidade.

Mas, o que assistimos são intermináveis discursos sobre tudo, incompetência, dificuldade de relacionamento da presidente, se vai chover, se não vai chover e outras questões que deputados levantam para ter momentos de estrelato, já que a televisão está acompanhando tudo, até essas falas inconsequentes.

E fica claro que o objetivo é tirar a presidente do cargo, independente do aspecto jurídico necessário.

E as consequências serão profundas. Um país dividido, a mídia definitivamente transformada em protagonista como se fosse partido político ou juiz, defendendo não a informação correta à população, que é seu dever, mas manipulando em função de interesses próprios, desde verbas publicitárias até seus patrocinadores.

Um Supremo Tribunal que na maioria das vezes joga para a plateia e não defende com rigor a Constituição e a soberarnia popular.

E um oportunismo nunca visto, fruto de um Congresso que se abastardou, que praticou a política rasteira, do interesse próprio, longe dos interesses da população, o que aponta para a necessidade de uma reforma profunda, a partir de uma Constituinte exclusiva.

Mas, é importância ressaltar também a grande culpa que cabe ao Partido dos Trabalhadores e seus dirigentes, inclusive seu líder máximo, com seus acordos totalmente fisiológicos, com sua incapacidade de lutar efetivamente por reformas estruturais e pela sua submissão à mídia manipuladora, como a Globo. E também pela arrogância com que se porta, considerando que tudo de bom que os trabalhadores conseguiram foi a partir do surgimento do PT. Arrogância, soberba e profunda ignorância da história do Brasil.

E agora estamos, aqui defendendo a continuidade do processo democrático, centenas e centenas de organizações e pessoas que não tem nenhuma simpatia pelo PT, mas sabem que esse é um jogo de grandes interesses e os que querem o impeachment - não a população que o defende - mas os grandes grupos que o impulsionam, agem em benefício própria, não a favor do povo, não a favor da moralidade administrativa, mas para abocanhar o poder e dividi-lo com os seus.

Portanto, qualquer que for o resultado, é necessário continuar e aprofundar a luta na construção de uma sociedade efetivamente democrática, com mais igualdade e sabendo quem são os inimigos desse objetivo. Pelo menos essa batalha deixou isso evidente: são as castas que roubam esse país rico há muito tempo. São os que fazem com que esse país tenha o segundo maior índice de sonegação do Planeta. São os que fazem com que o Brasil esteja entre os países mais injustos e desiguais do mundo. São essas oligarquias que fazem com que o país esteja entre os mais corruptos do mundo.

Não há conciliação possível com isso. Esse é o legado dessa batalha golpe x impeachment. Deixar claro que o Brasil não tem elites dirigentes, mas castas vorazes e insensíveis.E que devem ser questionadas e confrontadas, não por um partido, mas por amplos movimentos da população, por amplos movimentos de todos aqueles que percebem que essa situação precdisa mudar para que o país seja efetivamente de todos.

AS luta deve continuar e ser permanente, obrigando essas castas a devolver o que roubam permanentemente do país, muitas vezes, acobertadas pela legalidade que, apesar disso, não conseguem esconder a ilegitimidade. Pedro Guilherme de Andrade.