quinta-feira, 24 de março de 2016

Para combater a corrupção

A Operação Mãos Limpas, realizada na Itália não foi seletiva como a Lava Jato está sendo e atingiu todos os partidos e políticos e muita gente foi para a cadeia. Mas, não mudou um milímetro a corrupção e abriu caminho para Berlusconi.
Não que essa Operação Lava Jato não tenha sua importância, mas não é abrangente e cada vez mais mostra sua parcialidade. A última foi desdizer o que afirmava com a delação premiada de dirigentes da Odebrecht depois que vazou planilhas da Empresa, em que demonstra o pagamento a políticos de 24 partidos no mínimo, entre os quais os maiores do país.
Agora, afirma que não houve delação premiada e coloca sob sigilo a planilha da Odebrecht quando no caso dos grampos no ex-presidente Lula houve uma ansiedade para divulgá-la, privilegiando inclusive um grande veículo de comunicação.
Mais importante do que operações com nomes bombásticos que não mudam estruturalmente nada e muitas vezes servem de palanque para alguns e até mesmo como instrumento político, é o aperfeiçoamento contínuo do Estado e a conscientização cada vez maior do povo.
Não existe uma “bala de prata” como nas lendas sobre como matar vampiros. E não existe salvador da pátria por mais competente que seja,que faça o milagre de acabar com algo que convive com a humanidade há milhares de anos. É muita pretensão e arrogância.
É com transparência cada vez maior do Estado, com a obrigação de divulgação de custos, de aplicação de dinheiro, com mecanismos de controle contábil, jurídico, político é que a corrupção pode ir sendo paulatinamente diminuida.
E sobretudo quando a população vai se conscientizando cada vez mais do desastre que para uma Nação a corrupção, porque ele subverte as prioridades e tira dinheiro do que é fundamental: saúde, educação, segurança...
E principalmente quando a população entende que não devemos correr atrás de salvadores, mas passa a exigir cada vez mais de todos os integrantes do Estado, principalmente os que atuam nos altos escalões, investimentos mais direcionados para o que interessa ao povo, menos desperdício de recursos, mais eficiência na gestão e que cobre isso do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e, no caso do Executivo, não apenas dos governantes, mas de seus diversos órgãos como, por exemplo, o aparato policial que deve ser um instrumento de defesa dos cidadãos.
Combater a corrupção é portanto uma longa batalha que se faz concomitantemente com a exigência permanente de um Estado a serviço de toda a Nação, de todo o povo e não de grupos econômicos e financeiros e não de castas corruptas instaladas no poder de Estado e a iniciativa privada. Pedro Guilherme Andrade.