sábado, 30 de agosto de 2014

Marina e seus trunfos


Marina deixou a Rede em banho-maria enquanto se filiava ao PSB para continuar com visibilidade na campanha eleitoral, cuja chance era diminuta para sua chapa. A tragédia e o acaso deram uma reviravolta nessa situação.
Agora está à frente nas pesquisas e é, quer queiramos ou não, a portadora da esperança dos que se sentiam seu perspectiva num sistema eleitoral e político muito distante dos interesses do povo.
Há quem diga -  e são muitos - que ela terá imensa dificuldade para governar porque seu partido é pequeno. Bobagem!
A Rede é um grande trunfo agora, porque assegurada a presidência, a capacidade de atração do poder fará com que uma enxurrada de parlamentares vão cair na rede, vão aderir ao possível partido em banho-maria para transformá-lo num sólido partido. Lembremos que parlamentares podem sair de seu partido para aderir ao um novo, em formação, sem caracterizar infidelidade partidária. A Rede se transformará num grande trunfo e num belo atrativo.
Contará ainda com o apoio do PMDB, que é e será sempre governista, essa federação de oligarcas estaduais, construída a partir do MDB, o movimento base contra a ditadura militar. O que mostra que transfigurações não são alheias à política. 
Terá ainda a simpatia do PSDB cujo programa de governo muito se assemelha ao de dela, sendo que o seu é claro e objetivo nas posições que defende. O PSDB provavelmente vai enxugar um pouquinho mais, talvez caminhando rumo ao mesmo destino do DEM.
Uma parte do PT fará oposição a ela? O PT do Acre, por exemplo, de cujo governo seu marido era secretario e só saiu há poucos dias porque ela virou candidata a presidente, agirá como? Será que o PT como um todo ficará na oposição, acreditando que voltará ao poder em 2018 nos braços de Lula? 
Os blogueiros progressistas que apoiam o governo e são apoados pelo governo irão para a oposição ou uma parte se transformará nos progressistas de Marina?
 E os partidos que estão nas coligações do PSDB e do PT à presidência como agirão depois que a vaca for pro brejo? Uma grande parte provavelmente marchará com Marina, a redentora da ética e a construtora da Nova Política, sob o patrocínio do Banco Itaú e demais associados da Febraban.
E os empresários agarrados ao BNDES e aos negócios com o governo? Vão se afastar ou começarão a falar em sustentabilidade, a palavra que virará moda?
Portanto, acreditar que ela não terá base para governar é não ter o sentido do que é o presidencialismo de coalizão e de atração.
Resta o povo neste país de gigantescas iniquidades e de um grau de desigualdade atróz. Aí, só restará construir ao longo do tempo um forte movimento que reorganize de fato e em profundidade o Estado e a política em nosso país para que ele seja mais justo, num Estado mais transparente, menos corrupto, mais simplificado, menos burocratizado, mais competente, que desperdice menos recursos e sobretudo mais próximo do povo nas suas questões essenciais no campo da saúde, educação e igualdade.
Pedro Guilherme