terça-feira, 15 de julho de 2014

IDEC

Teste em laboratório revela que alimentos industrializados de grandes marcas têm teor de sódio muito diferente do informado no rótulo

Não é de hoje que se sabe que o consumo excessivo de sódio é perigoso para a saúde: ele aumenta o risco de desenvolver e de piorar quadros de hipertensão, doenças cardíacas e renais. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a ingestão diária do nutriente não passe de 2 gramas (g). Contudo, os brasileiros passam longe dessa meta: em média, consumimos mais do que o dobro recomendado, cerca 4,46 g por dia.

Esse descompasso vem se agravando nos últimos anos pelo aumento do consumo de alimentos industrializados no país. Não é difícil encontrar produtos processados que, em uma porção individual, tenham quase tanto ou até mais sódio do que a quantidade máxima preconizada pela OMS para um dia inteiro. Basta olhar a informação da tabela nutricional de produtos que frequentemente levamos à mesa para confirmar isso.

O pior é que o Idec acaba de descobrir que alguns alimentos podem ter ainda mais sódio do que o informado no rótulo! O Instituto levou para análise em laboratório 291 produtos, de 90 marcas, e identificou que 27 deles apresentam variação de mais de 20%, para mais ou para menos, desse nutriente. A diferença descumpre a Resolução n° 360/2003 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece regras para a rotulagem nutricional e dá essa margem de tolerância.

Embora a quantidade de produtos com erro seja pequena em comparação com o total de produtos avaliados, chama a atenção que os itens problemáticos sejam de marcas famosas, como Sadia, Seara, Batavo e Aurora, e que, em alguns casos, a diferença entre o valor informado e o realmente presente passe de 50%.

COMO FOI FEITO O TESTE

Entre março e abril, o Idec enviou para teste em laboratório 291 alimentos industrializados de 90 marcas, a fim de identificar o teor de sódio presente. Foram selecionados produtos de todas as categorias de alimentos incluídas nos acordos voluntários para redução de sódio firmados entre a indústria e o Ministério da Saúde.

Nessa primeira etapa, os resultados foram comparados com a informação da tabela nutricional indicada no rótulo dos produtos, tendo em vista as regras da RDC nº 360 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na próxima edição, divulgaremos uma análise do teor do nutriente em comparação com as metas fixadas nos termos de compromisso para a redução de sódio. O teste foi realizado com o apoio do International Development Research Centre (IDRC).

http://www.idec.org.br/em-acao/revista/aco-civil-publica-na-berlinda/materia/quanto-tem-de-sal