quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mais de 58 milhões de crianças não têm acesso à educação, revela relatório da UNESCO


 Garantir que todas as crianças tenham o direito ao ensino básico parece uma realidade que está longe de ser alcançada em 2015, caso muitos países não tomem medidas mais eficazes para cumprir esse Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o número de crianças fora da escola entre os 6 e 11 anos continua beirando os 58 milhões, e desde 2007, mostra muito pouco progresso.
A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, apresentou esses dados numa coletiva de imprensa em Bruxelas (Bélgica), realizada nesta quinta-feira (26), durante o evento da Parceria Global para Educação, em que doadores e países renovam o seu compromisso para promover a educação infantil.
“Não podemos responder a essa notícia com mais inércia. Pelo contrário, devemos soar os alarmes e mobilizar o apoio político para garantir que o direito à educação de toda a criança seja respeitado”, declarou Bokova.
As informações fazem parte do documento, produzido pelo Instituto de Estatística da UNESCO,  que revela ainda que caso a situação não mude, 15 milhões de meninas e 10 milhões de meninos, constituindo cerca de 43% de todos aqueles que atualmente não frequentam as escolas, jamais terão acesso à educação primária.
A falta de progresso está associada, em grande parte, ao rápido crescimento da população da África subsaariana , onde atualmente vivem mais de 30 milhões de crianças que não frequentam a escola. O documento também mostra lacunas na educação de crianças mais velhas, entre 12 e 15 anos, apontando que em 2012 cerca de 63 milhões de adolescentes não tiveram acesso à educação formal.
A Organização, no entanto, ressaltou que uma mudança positiva ainda pode ser alcançada, destacando o sucesso de 17 países que reverteram essa tendência na última década, reduzindo o número de crianças fora da escola em 90%.  Entre as medidas adotadas se destacam a eliminação dos custos escolares, introdução de temas mais relevantes no currículo acadêmico, devoção de maior atenção para grupos étnicos e linguísticos e fornecimento de apoio financeiro às famílias necessitadas.
Como exemplo, o documento cita alguns casos de sucesso, como o de Burundi, que ao eliminar os custos escolares aumentou a porcentagem de matrículas de 54 para 94% em seis anos; e o de Gana, que testemunhou um aumento de 2,4 milhões de crianças matriculadas na escola em 1999 para 4,1 em 2013 ao investir praticamente o dobro em seu programa de educação.