segunda-feira, 23 de junho de 2014

Grupo de trabalho da ONU alerta sobre discriminação contra mulheres no mundo corporativo

Foto: ONU Mulheres

O grupo de trabalho da ONU sobre discriminação contra mulheres na lei e na prática apresentou o seu mais recente relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, na última sexta-feira (20), em que alertou sobre a invisibilidade dos danos causados às mulheres tanto no âmbito dos negócios como no comercial.
O documento mostra a contribuição significativa das mulheres para o setor de negócios através de conclusões que descrevem as vantagens da diversidade de gênero na melhoria do desempenho das empresas e no aumento da sustentabilidade econômica.
No entanto, o relatório destaca que há uma grande diferença entre os gêneros que ocupam os altos escalões das organizações nacionais e mundiais, onde as mulheres são quase invisíveis. Atualmente, menos de 10% são chefes de departamentos dos bancos centrais e apenas 4,8% desempenham funções de diretora executiva nas empresas listadas na Fortune 500, revista que anualmente apresenta uma compilação das 500 maiores empresas do mundo com base em sua receita.
“Boas práticas para eliminação da discriminação contra as mulheres nesta área inclui a obrigatoriedade das cotas de gênero para os conselhos de administração e criação de oportunidades na área de empreendedorismo e negócios por meio de ofertas de formação, informação, recursos de crédito e poupança, além de políticas de compras governamentais que favoreçam empresas de mulheres”, disse a especialista de direitos humanos e líder do grupo de trabalho, Frances Raday.
Raday também alertou sobre as zonas industriais para exportação, onde as condições de trabalho, muitas vezes, são deploráveis e a compensação é restrita aos proprietários, que geralmente são homens. Segundo a especialista, esse ambiente representa um lugar fértil para violações dos direitos humanos, em que a maioria das vítimas são mulheres.
“Além disso, o aumento dramático em recursos e a desigualdade de rendas são resultantes de políticas econômicas e sociais, que têm implicações especialmente duras para as mulheres, que se encontram nos níveis mais baixos na cadeia de valor”, ressaltou.
“Apelamos aos governos para assegurar que os princípios de responsabilidade corporativa tenham em conta os diferentes interesses e necessidades das mulheres, e para identificar, prevenir e remediar os danos causados às mulheres por atividades corporativas”, acrescentou.