quinta-feira, 5 de junho de 2014

Desigualdade Social: produto humano


Clemente Ganz Lúcio
22 de maio de 2014

A desigualdade social é produto genuinamente humano, por isso é historicamente uma injustiça de caráter estrutural e sistêmica. As sociedades promovem a desigualdade porque produzem a riqueza – bens e serviços –, distribuindo-os continuadamente de forma desigual.
Na década de 90 a desigualdade era problema de países pobres e subdesenvolvidos. A crise de 2008 fez aflorar o que já se vinha observando, o aumento da desigualdade nos países desenvolvidos. Por exemplo, hoje, um em cada sete norte-americanos necessita de ajuda alimentar para sobreviver, a grande maioria são homens e mulheres em idade ativa, desempregados e vivendo de bicos.
A desigualdade é uma iniquidade que exige determinação política para superá-la. De um lado, um posicionamento moral-ético a favor da igualdade, um debate sobre valores e sentido social da produção econômica. De outro lado, requer capacidade política de aglutinar forças sociais capazes de alterar a desigualdade desde a produção econômica, reorganizar as formas e critérios de distribuição da renda e da riqueza gerada e acumulada, favorecer a atuação do Estado orientada pela justiça tributária e por equidade nas políticas públicas.
O debate atual vem recuperando o posicionamento político que considera a desigualdade social uma decorrência – um mal necessário do desenvolvimento – para considerá-la uma característica do modelo de crescimento e uma causa para os atuais limites do desenvolvimento.
Cabe-nos o desafio de trazer para o debate a iniquidade da desigualdade social e afirmar o sentido estruturante de uma sociedade justa orientada pela igualdade

Site: Democracia e mundo do trabalho
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