quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma cidade que sonha voltar a andar

       “São os empresários – e não os trabalhadores - os principais adversários da revolução necessária para que a cidade volte a andar. São os empresários, em conjunto com parte da elite política local que se beneficia desses arranjos, a razão de a cidade estar parada há tantos anos”. A afirmação integra o editorial da , 21-05-2014.

Eis o editorial.
Não foi ontem que São Paulo parou. São Paulo está parada há muitos anos.
São Paulo parou porque não enfrentou seus crônicos problemas de mobilidade e serviços básicos de transporte aos cidadãos. Ontem a cidade viveu apenas mais um capítulo dessa triste crônica. Um grupo de motoristas e cobradores, insatisfeitos com a proposta salarial feita pelos patrões – proposta essa que parece foi aceita pelo sindicato – decidiu se rebelar, utilizando-se de uma tática tão antiga quanto a luta política dos trabalhadores: fazer uma paralisação.
O que fizeram não foi guerrilha. Foi evidenciar o desacordo cruzando os braços. É verdade que o prefeito Fernando Haddad, eleito muito em função de suas propostas para a área de transporte, tem se esforçado para modificar o cenário de calamidade no transporte urbano. Mas a construção de corredores, a implantação do bilhete único mensal e mesmo o lançamento do Conselho responsável por discutir políticas públicas para o setor não interferem no centro do problema que hoje vive a capital paulista.
Em junho do ano passado, o Movimento Passe Livre já evidenciara que é preciso – e a população mostrou apoiar: um novo sistema de transporte público. Esse novo sistema deve ter uma única diretriz: colocar o cidadão usuário no centro das preocupações, respeitando os trabalhadores da categoria.
Talvez vivamos na cidade uma equação positiva: um prefeito bem intencionado e cidadãos trabalhadores pedindo transformações reais – não pequenas reformas. Essa conta, no entanto, também inclui o empresariado que explora o serviço de transporte público na capital.
São os empresários – e não os trabalhadores - os principais adversários da revolução necessária para que a cidade volte a andar. São os empresários, em conjunto com parte da elite política local que se beneficia desses arranjos, a razão de a cidade estar parada há tantos anos.
Os trabalhadores, nesse contexto, são apenas agentes legítimos em busca de uma solução que vai muito além de pequenos acordos. Exige uma verdadeira transformação.
Qualquer outra alternativa resultará em novos ciclos de paralisação em uma cidade que sonha voltar a andar.