segunda-feira, 12 de maio de 2014

Mudanças? Alguém acredita?

O povo nas ruas e nas redes sociais exige mudanças. As pesquisas de opinião mostram isso também. E os partidos e candidatos saem alardeando que farão mudanças. Todos agora são os candidatos da mudança nas próximas eleições.

Podemos esperar mudanças reais, aquelas que o povo necessita? Estarão os partidos comprometidos efetivamente com as mudanças?

A resposta é obvia. Não. O compromisso deles é com o poder. Se houvesse o sentimento de realizar o que é a necessidade real do povo e da Nação, o país seria muito diferente.

Qualquer que seja o vencedor para a presidência da República, nada mudará em essência.  Primeiro, porque o nosso sistema presidencialista, que obriga os partidos a fazerem coalisões para governarem , transforma o governo numa geleia geral, onde cabem todas as tendências políticas cujo objetivo principal é o acesso a cargos, não para o exercício cívico do poder em benefício da maioria, mas para obter vantagens pessoais ou de grupos, particularmente os financiadores de campanha.

Se a vitória for da Dilma, continuará a mesma coligação, um  arco de alianças onde tudo cabe e onde ao povo se distribui algumas benesses, sem no entanto ter um plano consistente de desenvolvimento econômico-social.

Se o vencedor for o Aécio, a maioria dos que apoiam a Dilma se bandearão para o governo dele, ficando na oposição o PT e mais um ou outro. O restante se enfiará no poder e lá ficarão. (Alguns nem saíram, porque sempre ficam no poder, qualquer que seja o governo,)

Se Campos sair vitorioso, quase todos os outros buscarão se enfiar no poder. E assim continuará tudo como antes, com reformas comésticas, maquiagens e nada de mudanças efetivas.

Acreditar que das eleições virão mudanças substantivas é ilusão  porque há vícios profundos em que todos os partidos estão inseridos.

Mudanças para valer, só com pressão do povo nas ruas, com o estabelecimento de  pontos mínimos comuns de luta e exigências, naquilo que interessa à Nação.

Transparência efetiva nos gastos públicos, combate incessante à corrupção, um sistema de saúde que funcione bem e igualmente em todas as cidades brasileiras, assim também como um sistema de educação, principalmente a básica,: segurança pública que faça da polícia uma aliada da população e não apenas uma instituição do Estado despreparada e desaparelhada para suas funções.

Investimento no que é efetivamente prioritário, independente de onde saiam os recursos, seja da administração direta ou do BNDES.

Desenvolvimento da infraestrutura para que atenda às necessidades do país, prioridade nas cidades para o transporte coletivo.

Participação efetiva da população nas decisões, aumentando a democracia participativa e reformulando a democracia representativa, para que os representantes sejam muito menos distanciados do povo como são atualmente.

E uma série de outras medidas.

Isso significa que só é possível fazer as mudanças necessárias com uma profunda transformação da política e do Estado brasileiro.

Esses partidos farão? Duvido. Não fizeram até agora, pelo contrário, aprofundarão o fosso entre o Estado e a população, não farão no futuro.

Vamos buscar construir um amplo movimento apartidário ou suprapartidário que tenha como objetivo principal as mudanças reais e não o poder.

Pedro Guilherme 12/05