terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vaticano tem problemas fiscais e rombo somou US$ 18,4 milhões em 2011

Gasto com pessoal é o mais significativo, em 2011 somava 2.832 pessoas, diz documento


11 de fevereiro de 2013 | 14h 37
Fernando Nakagawa, correspondente

LONDRES - Uma das principais causas da crise financeira europeia é o tamanho do Estado. Nos últimos anos, vários países da região gastaram mais que do que entrou nos cofres públicos e a saúde financeira foi ladeira abaixo. Ao oeste do Rio Tibre, localizado no centro de Roma, a cidade-estado do Vaticano sofre com mesmo problema da Itália, Grécia e Espanha. Ou seja, as contas papais estão no vermelho.

 
Principal receita do Vaticano vem da cobrança de ingressos para a entrada em alguns prédios - Giampiero Sposito/Reuters
Giampiero Sposito/Reuters
Principal receita do Vaticano vem da cobrança de ingressos para a entrada em alguns prédios

Soberano da Itália desde 1929, o Vaticano amargou recentemente um dos piores anos de sua história em termos fiscais. Balanço aprovado pelo Conselho de Cardeais em julho do ano passado mostra que a cidade-estado amargou um déficit de US$ 18,4 milhões em 2011. Em 2010, após esforço para melhorar as contas, a Santa Sé havia registrado um auspicioso superávit de US$ 9,9 milhões.
O balanço aprovado pelo conselho dos cardeais não esconde a causa do rombo. "O item mais significativo nos gastos foi o relativo ao pessoal, que em 31 de dezembro somava 2.832 pessoas. Gastos com comunicação também devem ser considerados", diz o documento que apresentou o balanço de 2011. Apesar de ter o 7º menor mercado de trabalho do mundo, a cidade-estado tem um índice elevado de trabalhadores por habitante: são 3,5 empregados para cada um dos 800 moradores da Santa Sé.
Ou seja, os servidores do Vaticano representam 354% da população. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o porcentual dos servidores públicos sobre a população no Brasil é cerca de 12% e, na média dos países da OCDE, o porcentual é de 22%.
Além de reconhecer que o tamanho da máquina afetou as contas públicas de 2011, o documento do Vaticano reconhece que a crise global também derrubou o fôlego financeiro. "O resultado foi afetado pela tendência negativa dos mercados financeiros globais, o que tornou impossível alcançar as metas estabelecidas no Orçamento", dizem os cardeais.
Bilheteria

A principal receita do Vaticano vem da cobrança de ingressos para a entrada em alguns dos belos edifícios ao redor da Praça de São Pedro. A receita com a bilheteria alcançou US$ 112,7 milhões em 2011, valor 10,8% maior que o visto um ano antes. Segundo a Igreja, foram mais de 5 milhões de visitantes naquele ano.
Apesar de mais turistas terem passado por lá, as doações não cresceram tanto. O dinheiro dado pelos fiéis diretamente ao Vaticano somou US$ 69,7 milhões em 2011, em alta de 3,1% - ritmo de crescimento de menos de um terço da bilheteria.
Com as doações em baixa, o Vaticano pediu apoio às demais áreas da Igreja mundo a fora. Segundo o balanço, o "apoio econômico oferecido por circunscrições eclesiásticas de todo o mundo para manter o serviço da Cúria Romana" somou US$ 32,1 milhões em 2011, 17,5% mais que um ano antes.