sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Por que Hugo Chávez assombra o mundo?

         
Perguntar por que Chávez assombra o mundo é o mesmo que perguntar por que o poder do povo assombra o mundo.
Por Ana Helena Tavares(*)
Perguntar por que Chávez assombra o mundo é o mesmo que perguntar por que o poder do povo assombra o mundo.
Muito se fala em Hugo Chávez. Jornalistas do mundo inteiro decretam que a Venezuela é uma ditadura. Tenho, às vezes, a nítida sensação de que se uma creche lotada explodir nos EUA a grande imprensa mundial arrumará logo um jeito de pôr a culpa em Hugo Chávez. E, se os conglomerados midiáticos o acham tão exageradamente ruim, sou tentada a concluir que algo de muito bom – e de democrático – ele tem.
Na tentativa de desmascarar alguns mitos midiáticos, começo me perguntando: por que tanto taxam Chávez de ditador?
Não há análises precisas sem contextualizações necessárias. O contexto latino-americano sempre possuiu um valor largamente geoestratégico para os EUA. É uma relação de dependência de tal modo que se pode afirmar que sem o controle da América Latina os EUA perderiam seu quintal, veriam sumir os frutos de sua horta e perderiam boa parte de seu poder.

Historicamente, nas décadas de 50, 60 e 70, fervilharam na América Latina processos progressistas e revolucionários que se compuseram de tendências várias, movimentos sindicais fortes, e ainda uma igreja que germinava a futura teologia da libertação. Tais processos levaram a que os EUA elaborassem e apoiassem planos ditatoriais de extrema-direita para os países rebeldes, enforcando (muitas vezes, literalmente) a possibilidade de mudanças sociais. Se pudessem, teriam matado Fidel, tal como se pudessem já teriam dado um sumiço em Chávez.
Ora vejamos… João Goulart não era comunista, tão somente conduziu alterações nos mecanismos econômicos de maneira a atenuar distorções sociais. Mas para os EUA e suas multinacionais essa é a senha para que a banda troque a música… Fuzilamentos, torturas, repressão e o cerceamento das liberdades civis e individuais foi o que se viu.
“Chávez isto, Chávez ditador, Chávez comunista, Chávez militarista” é o que se ouve. Só que nem Hugo Chávez, nem Evo Morales, nem Rafael Correa, nem José Mujica, nem Cristina Kirchner cometem o tipo de prática que as elites burguesas legitimaram melancolicamente no passado e, em certos casos, como o de Honduras e do Paraguai, também no presente.
Sem nada que se compare a uma convulsão social e gozando de uma Constituição, que Chávez buscou cumprir ao tentar descentralizar o poder dos monopólios de mídia, a Venezuela não pode de modo algum ser caracterizada como uma ditadura militar.
Se Chávez é ditador, por que, depois de ter sido preso, este quando chegou ao poder, por voto popular, não exerceu nenhum tipo de repressão sobre seus algozes? Chávez limitou-se a prendê-los, sem qualquer tipo de violência. E por quê? Não há outro nome senão coerência.
Era por uma Venezuela livre que o tenente-coronel Hugo Chávez lutava na intentona de 1992; é por uma Venezuela livre que o presidente Hugo Chávez sempre lutou.
Numa luta como esta, tanto lá como aqui, não cabem revanches. Cabe que se assegure ao povo a liberdade de expressão e a liberdade de ir e vir; cabe a punição dos que merecem ser punidos, dentro do cumprimento das leis que devem reger um país democrático. É isso o que Chávez faz e é isso o que apavora o mundo.
A melhoria da qualidade de vida dos pobres e sua consequente ascensão social, a erradicação do analfabetismo e os programas de saúde em parceria com médicos cubanos são fatores vitoriosos de seu governo. A isto a mídia faz vista grossa, mas chamá-lo de ditador é capa de jornal.
É claro que a Venezuela ainda tem muitas lacunas a preencher, mas ditador Chávez não é. Bem como também não é nenhum Bin Laden e nem sorri para qualquer um como o faz Obama.
O Nobel pode até gostar de ficar ao lado dos sorridentes, mas a Paz gosta mesmo é de quem fica ao lado do povo.
*Ana Helena Tavares é editora do site “Quem tem medo da democracia?”