terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lá é uma democracia mais séria e mais barata

Alexandre Garcia - Colunista da  agência “Alô  Comunicação”
 
Desculpe, eu sei que você não está interessado em eleições dos presidentes da Câmara e do Senado, mas se você souber o quanto está pagando por isso, na certa vai continuar esta leitura. Por algum motivo, pelo menos dois candidatos estão percorrendo o país em campanha política.
 
Eu sei que você não os viu, mas eles estão voando de capital em capital. Um vai de jatinho emprestado, que certamente o dono reza a oração de São Francisco “é dando que se recebe”, o outro vai esvaziando os bolsos de tanto pagar passagem. A Câmara tem a metade de eleitores de Serra da Saudade, Minas. São 513 deputados federais. No Senado, 81. Então para que tanta viagem e tanta campanha?
 
Em primeiro lugar, porque todo político quer ser presidente da República um dia – ou mais de um dia. Aqui no Brasil, podem viajar ao mesmo tempo para o exterior o presidente e o vice. Nesse caso, o presidente da Câmara vira presidente da República e pode ir de avião oficial pousar no seu município, como já aconteceu.
 
Mas se o presidente do Senado estiver de olhar cúpido para uma boquinha na cadeira presidencial, o presidente da Câmara, depois de ter alimentado seu ego e seu currículo com uma interinidadezinha, pode viajar também e deixar o presidente do Senado assumir o Palácio do Planalto. Afinal, não custa nada.
 
Não custa? O presidente do Senado pode contratar até 34 comissionados, sem concurso, com salários que chegam a R$ 19 mil por mês. Embora com toda essa companhia, ele não assume sozinho a direção do Senado. Por incrível que pareça, ele terá dois vices, mais quatro senadores que chefiarão as secretarias. Todos com direito a levar para o Senado, sem concurso, mais de uma dúzia de comissionados – cada um.
 
Na Câmara, o presidente pode nomear 46 comissionados, com salários de até 14 mil por mês. Os dois vices e os quatro deputados secretários, podem nomear 33 sem concurso – cada um. E até os suplentes podem nomear: 11 cada um. Além disso, para conforto dos senhores deputados, estão sendo gastos 280 milhões de reais para reformas dos apartamentos. São 463 residências.
 
É claro que você não pensa que quem está custeando isso é algum sultão das Arábias. É o seu imposto que paga isso. Você trabalha quase cinco meses do ano só para sustentar os governos que não garantem sua vida, nem um bom hospital, nem uma boa escola para seus filhos.
 
Na Suécia – o primeiro lugar no índice de democracia, entre 167 países –, deputado que não mora na capital agora tem direito a um “apartamento” de 18 metros quadrados; os de mais sorte desfrutam de 40 metros quadrados. Lá, ninguém tem carro oficial individual, como no Senado brasileiro, nem essa multidão de assessores, porque o contribuinte sueco não permitiria. Afinal, lá é uma democracia.