domingo, 25 de setembro de 2016

Diálogo no coração do sistema

Diálogo no coração do sistema



Escrita num momento diverso, porém igualmente perturbador, ao final dos anos 1980, no início do processo de democratização do país, à época da queda do muro de Berlim, “Jacques e a Revolução” ou “Como o criado aprendeu as lições de Diderot”, de Ronaldo Lima Lins, dialoga intensamente com os tempos que correm, como se estivéssemos diante de uma espécie de expressão premonitória das sucessivas crises hegemônicas e representativas dos poderes. Para examinar um conjunto de ideias delineadas pelo iluminista francês, a peça reinaugura questões antigas na dinâmica dos últimos séculos de modernidade. Não há lugar geográfico específico. O mundo está em foco. Tudo se passa através do diálogo entre dois personagens: O patrão, um empresário e seu empregado, Jacques.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Acusações políticas

As acusações ao ex-presidente Lula enveredaram claramente para o campo da política. Quando a justiça e a política se misturam quem perde é a democracia, é a verdade dos fatos.
O procurador que apresentou as acusações ao ex-presidente começou afirmando que não tem como provar, mas que achava que era tudo verdade. Um membro do Ministério Público pode afirmar isso?
Fica cada vez mais claro que o objetivo é político e ideológico cujo objetivo é a eleição presidencial de 2018. Não se quer fazer justiça, mas tirar do caminho um candidato forte.
Adiantará alguma coisa? Os outros candidatos são conhecidos e o tiro poderá sair pela culatra. A eleição de 2018 poderá ter candidato de oposição ao governo atual bem mais preparado do que Lula e bem menos vulnerável moralmente do que ele.
A corrupção se tornou endêmica, estrutural no Brasil e parece que os que tem a obrigação de combatê-la acabam sendo seletivos, parciais e instrumentos de sua perpetuação.
Mesmo que não concordemos com a política praticada pelo ex-presidente, não podemos nos deixar levar pela questão ideológica ou de vingança meramente.
É preciso exigir que julgamentos sejam sérios, jurídicos, com base em fatos e em provas e isso para qualquer cidadão brasileiro.
Se a justiça é facciosa com que tem projeção nacional, imagine com os que não tem que os defenda.
O que é preocupante também é o show midiático. Será que um bom ordenamento jurídico precisa de ações midiáticas espetaculares ou deve se fazer respeitar pela seriedade de suas acusações e julgamentos?
Uma reforma política que todos julgam necessária deve ter como fundamento a reforma do Estado, inclusive do judiciário.
Caso não houver uma reforma séria no aparato estatal estaremos mergulhados cada vez mais no Estado divorciado da população, gerindo interesses de grupos e colocando sempre em questão a já muito frágil democracia brasileira.

O que assistimos hoje foi um show midiático e não uma acusação jurídica fundamentada, mostrando uma faceta preocupante sobre o Ministério Público e o Judiciário como um todo, o despreparo ético e ausência de distanciamento crítico dos casos que estão sob sua responsabilidade.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A tragédia francesa, os governos e o terrorismo


A tragédia francesa foi provocada por um tunisiano que estava desempregado, estava se divorciando e já havia tido problemas com a justiça por roubo. Está longe de ser um militante do Estado Islâmico, parecendo mais um revoltado sem causa do que um militante com causa. Mas, o governo francês, ao invés de se fixar no ato daquela pessoa, já afirmou que vai reforçar o combate ao Estado Islâmico, o que se traduz em mais armas. E cria mais condições de revolta de muçulmanos, sempre culpados, até por atos individuais e jogando água no moinho do Estado Islâmico.
E os governos dos EUA, Inglaterra e outros vão na mesma toada. Por trás, os gigantescos interesses da indústria de guerra.
Algum desses governos tem interesse real em uma paz genuína. É bom lembrar que Sadam Hussein, Gadafi e Bin Laden eram aliados do Ocidente antes de mudarem de lado.
Lembrei de um filme com título brasileiro de "O senhor das armas", onde o personagem traficante de armas, interpretado por Nícolas Cage, está preso e sem companheiro de cela diz que ele não sairia mais da prisão. Ele diz, tranquilamente, que até o fim do dia seria solto. O outro riu. Ele foi solto. Antes de sair disse: "eles precisam de mim para fazer a entrega, eu sou necessário porque o maior traficante de armas é o presidente dos EUA".
A guerra e o terror não é produto de uma luta do bem contra o mal, mas geralmente um meio de negócio. Quem sofre é quem não tem nada com isso.
Manter o mundo sob ameaça constante, o medo do outro é um negócio altamente lucrativo. E vai continuar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Tragédia americana


O sujeito era homofóbico, matou 50 pessoas por ódio e preconceito. Estão tentando vendê-lo como terrorista, integrante de grupos terroristas. Seu gesto passa a ser um instrumento de disseminação do ódio contra o outro. As declarações idiotas de Trump, candidato a presidência dos EUA mostram o despreparo e a arrogância de quem deveria ter equilíbrio e seriedade.
Provavelmente nesse mundo insensato há milhões de pessoas que aplaudem esse gesto brutal e desumano do atirador americano numa boate..
Um país que pratica há décadas o terrorismo de Estado contra povos e nações e que permite que sua população se arme com o tipo de arma que bem entender só pode criar uma sociedade doente.
O que o mundo precisa é de respeito humano, é construir uma sociedade mundial onde as fronteiras nacionais, ideológicas, de raça, de gênero, de orientação sexual, de classe, de condições econômicas deixem de existir, fazendo florescer o que de melhor e não o de que pior tem a humanidade.
Esse deveria o sonho da humanidade. Não o sonho americano do consumo, do desperdício, do individualismo, da violência, da supremacia, da realização pessoal a qualquer custo e a indiferença perante o outro.